O G. e eu, que fomos a Quissimajulo para continuar a avaliação de desempenho que iniciámos a semana passada, esquecemos a avaliação e eu improviso uma aula. Cantamos a canção das vogais e falamos das palavras que começam por A. Nisto aparece um dos professores, diz-me que tem a mulher doente e que a outra professora não vem porque tem a filha também com malária.
Organizamos um grupinho de alunos para a avaliação e dirigimo-nos para a rua. No chão, cá fora, está uma criança deitada, esquecida, a chorar em silêncio. Pergunto-lhe o que tem e responde-me em Macua algo que entendi como “dor de cabeça”, ponho-lhe a mão na testa e está a arder em febre. Chamo o professor que encolhe os ombros:
- Hoje o centro de saúde está fechado.
- Mas este miúdo não pode estar aqui, tem que ser tratado, tem que ir ao hospital.
- Hoje o centro de saúde está fechado.
- Mas este miúdo não pode estar aqui, tem que ser tratado, tem que ir ao hospital.
Depois da minha insistência, o professor pede a um amigo que está de mota para o levar a casa … Não sei se depois o levaram ao hospital, só sei que isto é uma grande miséria.
Desde o início do ano letivo (fevereiro), cerca de 10% das crianças da escolinha de Quissimajulo faleceram com malária. O Professor, que levou hoje a mulher ao hospital para ser internada com o mesmo mal, explica-me que a malária naquela zona é diferente, que chega mais forte. Será isso, ou as condições de vida nesta zona são tão precárias, que as pessoas (em especial as crianças) não têm nem as defesas, nem o tratamento adequado para uma doença tão forte??

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