Desci à praia, como faço tantas vezes desde que aqui cheguei e, também como tantas outras vezes, encontro um grupo de rapazes a brincar dentro de água. São miúdos da praia, do mar, filhos de pescadores. As mães geralmente trabalham nas machambas ou a apanhar marisco. São famílias muito humildes. Praticamente todos estes miúdos trabalham no mar e muitos deles não andam na escola (sei-o porque não falam português).
Geralmente
acenam-me a mão quando chego à praia, e dizem qualquer coisa em macua que não
consigo descodificar.
Minutos depois aproxima-se com um amigo, este estende-me a mão com dois
doces. Não percebi e digo outra vez:
- Mas eu não tenho
troco.
Responde-me o dono
dos doces pelo amigo, que não falava português:
- Ele comprou para
você!
Fiquei tão
enternecida, uma emoção estranha, até com um bocadinho de vontade de chorar. Quis
ficar com um e dar-lhe o outro, mas ele não aceitou. Respondeu-me em macua mas
eu percebi perfeitamente:
- Estes são para
si!





