No chapa de volta
da escolinha, venho à conversa com o motorista e outro passageiro. O motorista
apresenta-se como “Inês” e, envergonhado explica:
- É nome de mulher…
Meus pais quiseram pôr assim.
- Pois, a minha
sobrinha tem o seu nome… - e rimo-nos os três.
Pergunto ao outro
passageiro qual é o seu trabalho e conta-me que está desempregado:
- Então, trabalha
às vezes na machamba ou no mar..?
- Não tenho essa
arte. Eu estudei em Maputo, na área da diplomacia, mas está difícil encontrar
trabalho. Esta corrupção…
- Há sim! Nós para
pedir trabalho temos que dar um valor e mesmo assim não é garantido. Eu já
paguei valor a dois, ali no porto, ficaram com o dinheiro e nenhum me chamou
para trabalhar.
- Mas esses valores
são de quanto?
- Depende do
salário, se é de 4.000 Mt (cerca de 130 dólares) pagamos 2.000 Mt, mas se é de
8.000 pagamos 4.000 Mt.
- Metade de um mês
de salário…
- Sim, mas antes de
recebermos o salário, sem sequer saber se o vamos receber porque podemos não
ser chamados. Veja a senhora o meu caso.
Incrível! Nunca
pensei que a corrupção pudesse ser tão criativa.

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