quarta-feira, 28 de maio de 2014

Mundos ao contrário

No skype com a minha mãe, digo-lhe que a seguir vou ver um filme no portátil e daqui a conversa resvala para os privilégios dos voluntários que vão colaborar em projetos. Respondo, um pouco irritada que, apesar de não vivermos nas mesmas condições que muitas das pessoas que aqui vivem, ainda estamos muito aquém do padrão de vida europeu e que é sempre mais fácil apontar as condições de vida dos voluntários que vão para África do que olhar para o nosso próprio nível de vida na Europa e verificar o abismo que nos separa de um Africano.

Mas na verdade sei que a minha mãe tem razão. Eu venho trabalhar como voluntária para um país pobre e tenho privilégios (que aceito!) que me deixam envergonhada:
- Recebo um subsídio para alimentação que quase nunca me chega até ao final do mês, mas que é mais elevado que alguns míseros ordenados;
- Vivo numa casa com cozinha e casa de banho, quando a maioria das casas da vizinhança tem um forno de lenha à porta e uma fossa nas traseiras;
- Temos água canalizada e eletricidade, ao contrário de muita gente;
- Não temos aspirador nem máquina de lavar roupa, mas temos uma senhora que vem todos os dias limpar-nos a casa e lavar-nos a roupa.
- Se estamos doentes, levam-nos na carrinha do projeto a uma clínica para fazer o despiste da malária, onde esperamos meia hora numa salinha com ar condicionado. A maior parte das pessoas aqui, tem que andar a pé baixo um sol abrasador, apanhar o “chapa” e levar com braços, pernas e gritos das trinta ou mais pessoas com quem partilha a caixa aberta duma carrinha, para então chegar ao hospital e esperar horas para ser atendido… e olhem que a malária já é dificilíssima de suportar nas melhores condições.

Esta é a realidade!

2 comentários:

  1. Estou contigo acho qie ser voluntário não e sentir e sofrer o mesmo que eles mas sim ajudar no que podes que penso que seja a tua missão, que sera suavizar um pouquinho, de qualquer forma acho que muitos pensam que ser voluntário e viver com eles. Bjs

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    1. Pois é Mena, com tanta injustiça é difícil perceber o que é que está certo ou errado...

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