
Os últimos dias foram cheios. Senti
muita coisa em pouco tempo, tristeza, alegria, raiva, paz. Isto de estarmos 24
horas sobre 24 horas, as mesmas quatro pessoas a partilhar casa, comida e
bebida, transportes, tarefas e opiniões, não é fácil!

Há coisas que nos dizem e que nos magoam,
mesmo pela verdade daquilo que nos é dito, outras que nos irritam porque nem
sempre o nosso estado de humor é o melhor e porque passamos por momentos de
tensão e stress. E tudo isto, tanto recebemos como provocamos ou vemos
acontecer entre os outros. O que realmente me é difícil neste processo é parar,
observar e tentar perceber onde é que eu posso melhorar naquilo que dou e na
forma como recebo o que me dão… e tenho aqui muito trabalho, porque posso ter
muitas coisas, mas feitio fácil não é uma delas!

Deixámos emocionados a nossa
família de Tutume e partimos para norte, com destino ao Parque Nacional Chobe.
O nome deste parque do Botswana é dado pelo rio que alimenta a beleza da
paisagem e a riqueza da fauna e flora do local. Nestes dias realizei dois
sonhos que tinha desde nova: o de fazer um safari em África e o de ver as
Cascatas Victoria.

O primeiro devo admitir que foi
um bocadinho uma decepção, não só por ter sido muito pouco tempo (o programa
era de 2h30) mas também por chover e fazer frio, o que levou alguns dos animais
a refugiarem-se. Mas apesar de não ter visto leões e zebras, vi imensos
elefantes e hipopótamos a banharem-se no rio, vi crocodilos e búfalos, impalas
e outros antílopes e uma enorme variedade de pássaros com cores e cantos
lindíssimos.

Já as Victoria Falls dificilmente
decepcionam alguém. São maravilhosas na sua dimensão, na sua beleza e pelo som
e chuva que provocam… Adorei!!! Também gostei da cidade e das pessoas (muito!).
Decidimos entre os quatro que merecíamos um dia de lazer. Deixámos de ser
voluntários e passámos a turistas. Após as cascatas fomos, pela primeira vez
desde que chegámos a África, almoçar a um restaurante e depois demos um passeio
pelo mercado. Foi assim que “matámos o tempo” até à hora do autocarro que viaja
de noite para Harare. Viajar de noite poupa-nos dinheiro tanto em dormida como
em transporte (a viagem nocturna é mais barata), mas não nos permite descansar
em condições.

Ao chegar a Harare ligamos a
Anton, o “nosso” taxista, para nos levar ao Frontline. Simpático como sempre
faz vários desvios e paragens pelo caminho a fim de passarmos pela embaixada do
Malawi e de comprarmos tabaco paro o G. No Frontline somos recebidos com
abraços e saudações por todos. Gosto muito das pessoas daqui.
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