segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A chegada





Depois de uma viagem longa, que não nos deixou dormir em condições, chegámos ao Zimbabwe.
No aeroporto grande fila para os vistos… À entrada (ou saída) a já esperada foto de Mugabe e muitas complicações com os quatro sacos de donativos que trouxemos. Falámos, explicámos, mostrámos todos os documentos e cartas da organização. Pedimos ao Enoch (o simpático funcionário da Humana que nos esperava) para entrar nos escritórios da Alfândega. Juntos contámos e pesámos os quase 200 itens que trazíamos (entre uniformes escolares, mochilas e livros) para que os funcionários pudessem aplicar a “tax fee”, que será paga quando voltarmos com uma carta da Humana People to People digitada nos termos exigidos pela alfândega. O Enoch tratará de tudo e, no entretanto, ficam os donativos no aeroporto.
Somos levados ao “Small Office” da Humana em Harare, onde somos muito bem recebidos com bebida fresca e biscoitos. Trocamos de carro e fazemos um “tour” pela cidade. Apesar do cansaço não posso deixar de me sentir entusiasmada com o movimento de pessoas e carros. Aos sentidos chegam-me cores, sorrisos e calor.
Já à saída da cidade, a caminho do Frontline Institute, vemos zebras e impalas. Lembro-me que antes de aterrar vi o que me pareceram dois hipopótamos num rio. Enoch diz-me ser bastante possível, uma vez que os aviões sobrevoam uma reserva natural antes de aterrar.
Tardamos quase uma hora a chegar às instalações do Frontline. No caminho, mato e muita gente. Em cada esquina de cada cruzamento há barracas onde se vendem frutas e vegetais, ao longo da estrada encontramos sempre alguém a caminhar, principalmente mulheres com sacos, baldes ou lenha na cabeça e crianças muito pequenas que andam por caminhos que parece que levam a lado nenhum.
O Frontline Institute é uma escola que forma trabalhadores da Humana People to People, para que possam progredir nas suas carreiras e desempenhar funções de maior responsabilidade no futuro. Na escola estão pessoas de diversos países africanos e de outras partes do mundo, como Brasil, Equador, Laos e China. Trabalham muito. Não têm um único dia livre por semana, descansam ao domingo à tarde, e começam a trabalhar às 6h da manhã de cada dia para terminar às 21h30… e assim mesmo são de uma simpatia e disponibilidade incríveis, sempre com um sorriso aberto e um “my friend” na ponta da língua.


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