segunda-feira, 24 de março de 2014

Dores silenciosas


Meio-dia, caminho de volta da escolinha, um calor insuportável e eu devoro a água que tenho e queixo-me que não aguento mais andar debaixo deste sol.

Vejo, quase desapercebida, uma senhora jovem deitada à beira da estrada, debaixo de um arbusto tão pequeno que praticamente não lhe dá sombra. Paro e pergunto-lhe se se sente bem:
- hmhm – abana a cabeça – muita dor de cabeça.
- Já foi ao médico?
- Já, agora… - vinha, com certeza, do centro de saúde que fica ao lado do colégio.
- Tem malária?
- Tem.
- Já tem os comprimidos?
- Aqui! - mostra-me um saco de papel que tem na mão (aqui os medicamentos, tal como o tabaco, vendem-se avulso).
- Tem que beber muita água.
- Sim, isso é que falta.
- Mora aqui perto?
- Não, longe…
- Vai de chapa?
- Não, a pé…
Dou-lhe a pouca água que ainda tenho, continuo o meu caminho para casa e engulo as queixas todas.

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