Meio-dia, caminho de volta da escolinha, um calor insuportável e eu devoro a água que tenho e queixo-me que não aguento mais andar debaixo deste sol.
Vejo, quase
desapercebida, uma senhora jovem deitada à beira da estrada, debaixo de um
arbusto tão pequeno que praticamente não lhe dá sombra. Paro e pergunto-lhe se
se sente bem:
- hmhm – abana a
cabeça – muita dor de cabeça.
- Já foi ao médico?
- Tem malária?
- Tem.
- Já tem os
comprimidos?
- Aqui! - mostra-me
um saco de papel que tem na mão (aqui os medicamentos, tal como o tabaco,
vendem-se avulso).
- Tem que beber
muita água.
- Sim, isso é que
falta.
- Mora aqui perto?
- Não, longe…
- Vai de chapa?
- Não, a pé…
Dou-lhe a pouca
água que ainda tenho, continuo o meu caminho para casa e engulo as queixas
todas.

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