A nossa viagem acaba em Nacala, cidade onde vamos trabalhar durante 6 meses como “DI’s – Development Instructores” na Escola Profissional de Nacala-Porto da ADPP Moçambique.
No dia anterior à nossa entrada
no país tivemos o nosso primeiro contacto com as autoridades Moçambicanas.
Passámos a fronteira do Malawi e, ao chegarmos ao outro lado, constatámos que
os serviços de fronteira Moçambicanos tinham fechado um pouco mais cedo. O
oficial que estava de guarda diz-nos que podemos passar, mas com “condições”.
Para ser mais explícito, não fossemos nós não compreender a que “condições” se
referia ele (para ser sincera, não estava ainda segura do que se tratava),
esfrega as mãos uma na outra e explica-nos “uma mão lava a outra”. Voltámos
para trás…
Foi uma noite difícil! Para
começar sentia-me doente, o que mais ansiava, depois de horas a viajar em
mini-bus e a carregar mochilas (no final, já sem forças, acabei por pagar a um
dos rapazes das bicicletas para me levar a grande), era uma cama limpa, num
quarto sem humidade, e água potável. As bicicletas são muito comummente
utilizadas como meio de transporte no Malawi. Atrás de nós, para a frente e
para trás nesta história das fronteiras, vinham dezenas de rapazes com as suas
bicicletas a tentar convencer-nos a recorrer aos seus serviços. Um deles
diz-nos que conhece um bom sítio para nos alojar esta noite, mesmo ao lado da
fronteira do Malawi. Aceitámos, pois estava a anoitecer e não tínhamos muitas
alternativas. Entretanto explicámos que já não tínhamos Kwachas, apenas Dólares
e leva-nos a uma barraca onde supostamente nos faziam o câmbio, mas a um preço
elevadíssimo. Quando dizemos que não estamos interessados tentam enganar-nos,
trocando a nossa nota por uma outra que, provavelmente, era falsa. A confusão
foi enorme e chamou a atenção de dezenas de pessoas que começaram a
aproximar-se pelo alarido, o que me assustou um bocadinho. Felizmente
devolveram-nos a nossa nota e pudemos ir ao tal “bom sítio para dormir”.
Era
noite escura, o caminho esquisitíssimo, ainda hesitámos em continuar mas, à
falta de uma boa alternativa, decidimos seguir com o rapaz. O sítio era mau…
quarto escuro, húmido e tudo, menos limpo. As casas de banho nem as vi, porque
o cheiro era insuportável a 3 metros de distância. Das dezenas de rapazes que
nos acompanharam desde o princípio, sobraram quatro: o que nos indicou o sítio,
o que me trouxe a mochila, e outros dois que esperavam ser pagos, não
conseguimos perceber pelo quê. A confusão instala-se novamente por causa do
dinheiro, ninguém quer ser pago em Dólares, incluindo os do alojamento. Nós sem
Kwachas, sem comida, com pouca água e com alguma fome, porque a única refeição
que fizemos foi a de manhã. Eu sinto-me muito cansada e sem forças para mais
nada, deixo a resolução dos problemas na mão dos meus companheiros e vou-me
deitar.
Na manhã seguinte cruzamos a
fronteira. Depois de nos revistarem tudo - nitidamente à procura de um motivo
para extorquir algum dinheirinho extra, mas sem sucesso - apanhamos boleia de
um polícia que, curiosamente e para nossa admiração, não aceitou dinheiro pela
boleia. Afinal há exceções, e é bom verificá-las!

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