sábado, 1 de março de 2014

Chegámos a Moçambique!


A nossa viagem acaba em Nacala, cidade onde vamos trabalhar durante 6 meses como “DI’s – Development Instructores” na Escola Profissional de Nacala-Porto da ADPP Moçambique.

No dia anterior à nossa entrada no país tivemos o nosso primeiro contacto com as autoridades Moçambicanas. Passámos a fronteira do Malawi e, ao chegarmos ao outro lado, constatámos que os serviços de fronteira Moçambicanos tinham fechado um pouco mais cedo. O oficial que estava de guarda diz-nos que podemos passar, mas com “condições”. Para ser mais explícito, não fossemos nós não compreender a que “condições” se referia ele (para ser sincera, não estava ainda segura do que se tratava), esfrega as mãos uma na outra e explica-nos “uma mão lava a outra”. Voltámos para trás…

Foi uma noite difícil! Para começar sentia-me doente, o que mais ansiava, depois de horas a viajar em mini-bus e a carregar mochilas (no final, já sem forças, acabei por pagar a um dos rapazes das bicicletas para me levar a grande), era uma cama limpa, num quarto sem humidade, e água potável. As bicicletas são muito comummente utilizadas como meio de transporte no Malawi. Atrás de nós, para a frente e para trás nesta história das fronteiras, vinham dezenas de rapazes com as suas bicicletas a tentar convencer-nos a recorrer aos seus serviços. Um deles diz-nos que conhece um bom sítio para nos alojar esta noite, mesmo ao lado da fronteira do Malawi. Aceitámos, pois estava a anoitecer e não tínhamos muitas alternativas. Entretanto explicámos que já não tínhamos Kwachas, apenas Dólares e leva-nos a uma barraca onde supostamente nos faziam o câmbio, mas a um preço elevadíssimo. Quando dizemos que não estamos interessados tentam enganar-nos, trocando a nossa nota por uma outra que, provavelmente, era falsa. A confusão foi enorme e chamou a atenção de dezenas de pessoas que começaram a aproximar-se pelo alarido, o que me assustou um bocadinho. Felizmente devolveram-nos a nossa nota e pudemos ir ao tal “bom sítio para dormir”. 

Era noite escura, o caminho esquisitíssimo, ainda hesitámos em continuar mas, à falta de uma boa alternativa, decidimos seguir com o rapaz. O sítio era mau… quarto escuro, húmido e tudo, menos limpo. As casas de banho nem as vi, porque o cheiro era insuportável a 3 metros de distância. Das dezenas de rapazes que nos acompanharam desde o princípio, sobraram quatro: o que nos indicou o sítio, o que me trouxe a mochila, e outros dois que esperavam ser pagos, não conseguimos perceber pelo quê. A confusão instala-se novamente por causa do dinheiro, ninguém quer ser pago em Dólares, incluindo os do alojamento. Nós sem Kwachas, sem comida, com pouca água e com alguma fome, porque a única refeição que fizemos foi a de manhã. Eu sinto-me muito cansada e sem forças para mais nada, deixo a resolução dos problemas na mão dos meus companheiros e vou-me deitar.

Na manhã seguinte cruzamos a fronteira. Depois de nos revistarem tudo - nitidamente à procura de um motivo para extorquir algum dinheirinho extra, mas sem sucesso - apanhamos boleia de um polícia que, curiosamente e para nossa admiração, não aceitou dinheiro pela boleia. Afinal há exceções, e é bom verificá-las!

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