sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Adeus Zambia


Voltámos a ultrapassar o recorde da “pior viagem de sempre”!! 40 km de uma estrada completamente esburacada, dentro de uma camioneta tipo “transporte de refugiados”, com duas miúdas a vomitar o caminho todo (ainda não percebo como é que eu não me juntei a elas). 

No meio de violentos safanões (que me deixaram marcas no corpo durante uma semana!), de pés e mãos e pernas em cima de mim, e de um cheiro insuportável decido fazer o resto da viagem de pé, com a cabeça fora do pano que cobre a parte de trás da camioneta. Então começou a outra fase da viagem. Esqueci-me dos solavancos e dos cheiros, embebida numa paisagem magnífica de montanhas e vegetação tropical muuuuito verde. 

O meu companheiro nesta “jornada de pé” é um jovem comerciante Zambiano, que vai com regularidade ao Malawi abastecer-se de mercadoria. Diz que a diferença de preços é substancial e compensa fazer duas viagens de abastecimento por mês. Explica-me que de um lado vemos a Tanzânia e do outro o Malawi e eu não consigo decidir qual é o mais bonito. Conta-me que tem 10 irmãos e que, também ele, quer ter 11 filhos. De momento tem 3 e a esposa não quer mais e diz, em jeito de brincadeira, que tem que arranjar outra mulher que lhe dê os restantes filhos. Respondo-lhe que assim a esposa vai deixá-lo e ele diz-me entre risos que não, impossível, ela não pode deixá-lo. Explico-lhe que, donde venho, o homem e a mulher têm os mesmos direitos e que a mulher pode, sim, deixar o homem. Ele responde-me que, ainda que a sua esposa não o possa deixar, ele gosta dela e que, por saber que a ia magoar, não arranja outra mulher e fica-se pelos 3 filhos… e eu penso que as culturas podem ser diferentes, mas o amor sente-se sempre da mesma forma!

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